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Paris (França) – O americano Zachary Svajda está jogando o melhor tênis de sua vida em Roland Garros, em homenagem ao pai Tom, que faleceu em outubro passado. O tenista de 23 anos avançou para as oitavas de final de um Grand Slam pela primeira vez neste sábado, superando o cabeça de chave 25, Francisco Cerundolo, em emocionante vitória em cinco sets. Sua vitória teve um significado ainda maior, por ter acontecido no que seria o 61º aniversário de seu pai.
“Eu estava pensando nisso”, disse Svajda, que agora enfrentará o cabeça 10, Flavio Cobolli. “Eu estava nervoso. Sei que ele está orgulhoso de mim e quero jogar bem e vencer. Quando consegui a vitória, no último ponto, eu simplesmente me emocionei, caí no chão e pensei: ‘Meu Deus, o que está acontecendo?’”, conta a reportagem do ATP Tour.com.
Em setembro passado, Svajda estava competindo na Ásia enquanto atravessava um dos períodos mais difíceis da carreira. Após passar apenas quatro dias na China, bem menos do que as três semanas planejadas, retornou para casa, na Califórnia. O americano jogou uma partida e admitiu ter dificuldades para se concentrar, chegando a chorar antes do jogo. O pai de Svajda havia sido diagnosticado com câncer em 2024 e estava em fase terminal, do outro lado do mundo. Após a derrota, Svajda não hesitou: reservou um voo para casa naquela mesma noite.
Um mês antes de sua breve viagem à Ásia, Svajda competia no Estádio Arthur Ashe, enfrentando o 24 vezes campeão de Grand Slam, Novak Djokovic, na segunda rodada do Aberto dos Estados Unidos. Essa foi a melhor campanha de Svajda em um Grand Slam até esta semana em Paris, onde ele subiu 26 posições, chegando ao 59º lugar no ranking ATP, o que o coloca em posição de alcançar a melhor colocação de sua carreira.
Após o Aberto dos Estados Unidos do ano passado, Svajda cogitou encerrar sua temporada para ficar em casa com a família. “Lembro-me de uma das últimas coisas que meu pai me disse: ‘Vai ficar tudo bem, só vai jogar’, era isso que o fazia feliz”, disse Svajda.
As primeiras lembranças de Svajda jogando tênis incluem Tom, que era professor de tênis no Pacific Beach Tennis Club, em San Diego. Muito antes de Svajda começar a viajar pelo mundo como tenista profissional, ele e o pai brincavam de voleio com um balão. A convivência entre pai e filho era constante na sala de estar quando Zach tinha dois anos. Esses momentos preciosos entre pai e filho nunca cessaram.
“Ele me ensinou tudo, porque eu estudei em casa a vida toda, então eu estava com ele 24 horas por dia, 7 dias por semana, na quadra de tênis e em casa”, disse Svajda. “Ele realmente me ensinou sobre comprometimento, a tomar as decisões certas e também a fazer sacrifícios.”
Quando Tom faleceu em 13 de outubro, Zach não tocou numa raquete durante um mês. Ele ficou perto da família e ajudou a mãe a se mudar para o Texas, onde moram os dois irmãos de Svajda. Svajda retornou às quadras no Aberto da Austrália, batalhando no qualifying para garantir sua vaga na chave principal. Foi um primeiro passo significativo de volta ao circuito.
Svajda então retornou ao sul da Califórnia e competiu no Challenger de San Diego, realizado a 10 minutos de onde cresceu. A familiaridade era ao mesmo tempo reconfortante e pesada. A princípio, Svajda não tinha certeza de como seria voltar a um lugar tão ligado ao seu pai. “Eu disse à minha equipe: ‘Acho que não quero jogar em San Diego porque é estranho voltar lá com tudo o que aconteceu com meu pai’”, relembrou.

Svajda transformou a incerteza em um momento memorável, fechando um ciclo, com a presença de amigos e familiares. Ele foi coroado campeão, derrotando o ex-número 15 do mundo, Sebastian Korda, por 6/4 e 7/6 (7-5) na final.
“Lembro-me de quando venci a semifinal e avancei para a decisão, eu pensava: ‘Queria que meu pai estivesse aqui’”, contou Svajda. “Eu também pensava nisso quando erguia o troféu ou quando acertava um ace no match point.”
Svajda, sete vezes campeão de torneios ATP Challenger, recebeu um troféu único, perfeito para uma vitória em San Diego: uma prancha de surfe. “Achei muito legal ter um troféu assim, diferente de todos os outros”, comentou. “Com certeza o maior troféu que tenho, e felizmente foi em San Diego, então eu simplesmente o coloquei no porta-malas, com os vidros abaixados, e dirigi de volta para Los Angeles naquela noite.”
Apesar da dor nos últimos meses, o americano também sente gratidão ao refletir sobre o tempo precioso que passou com seu pai. “Foi memorável passar aqueles últimos meses e dias com meu pai, mesmo que ele não conseguisse sair da cama. Foi muito triste, mas realmente me ensinou muito e aprendi muito com ele e com a experiência.”











