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A volta do saibro e o alívio de Carlitos

Foto: ATP Tour

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Reduzida a três torneios e sob a constante ameaça de extinção, a curta temporada de nivel ATP sobre o saibro sul-americano recomeça nesta segunda-feira em Buenos Aires. A lista de inscritos, aliás, é bem parecida com a do Rio Open, que acontece na sequência e costuma dividir com os argentinos os altos cachês cobrados pelos jogadores de ponta, casos desta vez do número 2 Alexander Zverev e do ex-top 10 Holger Rune. Buenos Aires no entanto distribui menos de US$ 700 mil, ou seja, um terço do ATP 500 brasileiro. Bom negócio.

Os sul-americanos prometem fazer de tudo para estragar a festa e têm boa chance nesta próxima semana. Os donos da casa listam três cabeças de chave – Francis Cerúndolo, Sebastian Baez e Tomás Etcheverry -, enquanto os chilenos estarão com Alejandro Tabilo e Nicolas Jarry. Não será nada difícil Jarry dar sufoco no italiano Lorenzo Musetti e Cerúndolo exigir de Zverev numa rodada noturna de piso muito lento.

Thiago Wild e João Fonseca correm por fora. O paranaense pega o perigoso Facundo Diaz e, se vencer, deve encarar Baez. Nada fácil. O jovem carioca vai fazer o jogo principal da rodada noturna de terça-feira contra Etcheverry e, como franco atirador, tudo é possível. Quem passar, pode ter Hugo Gaston nas oitavas e Holger Rune (ou Mariano Navone) nas quartas. Vale lembrar que foi Navone quem interrompeu a trajetória inesperada de Fonseca no Rio Open do ano passado, virando o placar.

Com a saída de Córdoba e as eternas dificuldades de Santiago para se manter no calendário, o circuito sul-americano novamente estuda a mudança de piso para o sintético. Isso teoricamente ajudaria a trazer mais nomes de peso, já que muito pouca gente considera a sempre trabalhosa preparação para o saibro em meio a um calendário de quadra dura que vai de agosto até o final de março. Só pagando mesmo.

Alcaraz fica mais completo

Além do primeiro título da temporada – e desde Pequim, em outubro -, Carlos Alcaraz deu outra mostra de sua notável versatilidade e incluiu em Roterdã o piso sintético coberto entre seus troféus. Que já são 17 em 22 finais. Com 21 anos e 9 meses, apenas Rafa Nadal fez mais entre o Big 3, com 22 títulos em 30 decisões. Novak Djokovic nessa idade tinha 13 em 21 finais e Roger Federer, 7 em 15.

Não menos importante, o espanhol chegou gripado em Roterdã e superou jogos bem desgastantes, três deles no terceiro set, incluindo a excelente semifinal contra Hubert Hurkacz. A campanha tem ainda a relevância moral de minimizar a desastrosa queda nas quartas de final do Australian Open para um contundido Djokovic.

Alex de Minaur, que fez um ótimo segundo set contra Carlitos, em que se propôs ser muito agressivo, aparecerá nesta segunda-feira no sexto lugar do ranking, sua melhor marca pessoal.

Bia oscila e decepciona

Beatriz Haddad teve ótimos e péssimos momentos na partida de 2h40 que lhe custou queda logo na estreia do WTA 1000 de Doha. Abriu 3/0 com games longos, mas mantendo-se consistente, e de repente um game de serviço escapou e a coisa desandou, a ponto de perder quatro games consecutivos de Magdalena Frech.

A canhota paulistana repetiu a dose no segundo set, abrindo 3/0 e ficando muito perto de outra quebra. Quase cedeu empate novamente, mas desta vez brigou mais na hora de devolver e levou ao terceiro set. Sofreu quebra no segundo game e jamais reagiu. Fechou a irregularíssima atuação com 51 erros não forçados, mais do que o dobro dos 25 da polonesa. Talvez, a recente inflamação no ombro esquerdo, que a tirou de Abu Dhabi, explique a oscilação.

Com risco muito baixo de sair do top 20, Bia segue agora para a chave de duplas, ao lado de Laura Siegemund.

E olha aí o Shapovalov

De repente, tudo se encaixou e o canhoto Denis Shapovalov fez uma campanha brilhante em Dallas para erguer seu primeiro ATP 500. Deixou para trás nada menos que três top 10, entre eles os dois maiores nomes do tênis norte-americano do momento, Taylor Fritz e Tommy Paul. Na decisão, voltou a sacar com muita qualidade, fez 13 aces e manteve Casper Ruud quase sempre na defensiva.

Há 18 meses, Shapovalov teve de encerrar premaraturamente a temporada de 2023 para enfim operar o joelho, algo que relutava em fazer. Chegou a cair para o 140º do ranking e nesta segunda-feira estará de volta ao 32º. O ponto realmente de destaque é que o canadense tem se mostrado bem menos afoito. Trabalhou bem os pontos nos testes difíceis da semana e quem sabe reinicie a trajetória que já o colocou entre os 10 melhores do ranking.

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levI sIlvA
levI sIlvA
1 ano atrás

Paulo Almeida, o novo álbum do DT já segue fazendo barulho…li alguns artigos onde se fala numa certa volta as origens na sonoridade e até na temática do lançamento. Portnoy, parece ter feito bem a banda com seu retorno, não foi?!?
Boas audições por aí, ?

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 ano atrás
Responder para  levI sIlvA

A primeira impressão foi muito boa, Levi, mas preciso ouvir mais vezes para assimilar todas as faixas adequadamente.

O Mangini era muito bom e altamente técnico (senão nem teria entrado), mas Portnoy é a cara da banda. Só discorda quem é novato.

Abs!

levI sIlvA
levI sIlvA
1 ano atrás
Responder para  Paulo Almeida

Funciona assim mesmo…com o álbum de 1994, Scenes From a Memory, era necessário inúmeras audições, pra gente assimilar a idéia e tudo o mais…isso aí, é deles não tem jeito…!

Última edição 1 ano atrás by levI sIlvA
Ricardo Ortegal
Ricardo Ortegal
1 ano atrás

Se o circuito sul americano pudesse trocar as datas com Indian Wells e Miami, seria perfeito, pois encostaria na temporada de saibro. Mas é mais garantido mesmo a troca do piso.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 ano atrás

Faltou um dado dos mais importantes no Post . Carlos Alcaraz , ainda aos 21 anos, é o único jogador a vencer ATP 500 desde a sua criação, em TODOS os Pisos : Grama , Saibro, Hard e INDOOR. Repetindo o que fez nos SLAM. Ninguém do Big 3 conseguiu a proeza. Para Jannik Sinner falta vencer um na Terra batida. Abs !

Lucas
Lucas
1 ano atrás

De Menor como sexto no ranking só mostra a fraqueza da atual geração… Com algumas excessões.

Lucas
Lucas
1 ano atrás
Responder para  Lucas

Exceções

Refaelov
Refaelov
1 ano atrás

Boa tarde Dalcin. Tu saberia dizer q se já foi proposto pra ATP antecipar os torneios em Hard pré IW/Miami + os próprios M1000 em si e jogar esse gira de saibro sudaca para imediatamente após Miami? Na minha cabeça faria mais sentido emendar a gira sul-americana com o início da temporada de saibro no hemisfério norte..

Saudações!

Daniel
Daniel
1 ano atrás

Tirar os ATPs da gira sulamericana do saibro e ir pra sintética é de um vira-latismo inominável. Gostaria de saber a opinião de nomes relevantes na história do tênis sulamericano sobre o tema, como Marcelo Rios, Guga, Villa, por exemplo.

Evaldo Moreira
Evaldo Moreira
1 ano atrás

Na boa….

Apenas acho, e é uma situação de momento, não sei o que se passa na cabeça dela, mas ela venceu nas duplas , ou decide de fato, jogar duplas, ou de fato, ela define de vez nas simples, com um adendo, tem que melhorar e muuuuito a parte mental/emocional, para poder seguir em frente, talento ela tem de sobra, agora o saque, e o segundo saque, precisam de melhoras.

Ao invés de agreagar um treinador, poderia agregar um psicológo??? Não sei ela faz uso , fora do staff, mas uma boa, muitos jogadores utilizam, uns se dão bem, outros, o próprio JF, disse que fez, mas não se adaptou muito, mas deixa u o futuro em aberto, caso precise recorrer ao psicólogo.

Telmior Idol
Telmior Idol
1 ano atrás

“No auge do Federer, era duro aturar os torcedores: eram chatos, mala, e as afirmaçôes beiravam o incocebível e a mais pura loucura. Eles estavam fora da casinha.
Já hoje, quem se supera são os jokovitas: eles conseguem ser ‘tâo bons’ quanto eram os federistas”.

É muita insanidade junta, e só pra nao esquecer: “3 > 2 > 1, portanto elefante voa! “.

Joselito
Joselito
1 ano atrás
Responder para  Telmior Idol

Concordo. É bom sempre lembrar a todos, o que tem mais, tem 24.

Clodoelson
Clodoelson
1 ano atrás

Dalcim, o número de títulos do Carlitos e do big 3 que vc destacou no seu texto contam os challengers?

João Borin
João Borin
1 ano atrás

Dalcim, você não acha que aqueles forehands do Alcaraz, aquelas marteladas ele não deu mais, ou é impressão só?

Telior Idol
Telior Idol
1 ano atrás

“33 > 17 > 0 (Siner/Alcaraz/JF). Portanto meu novo ídolo é 33 vezes melhor. E contando!!! Hahaha”

Hahaha

Refaelov
Refaelov
1 ano atrás

Tbm fiquei bem animado com essa subida de produção do Shapovalov(q já tinha encerrado 2024 copando um ATP 250), talentosissimo e com um jogo plasticamente muito agradável de assistir, da turma do backhand de uma mão é quem tem mais margem de evolução pra devolver o golpe para o top 10..

José Roberto
José Roberto
1 ano atrás

Excelente texto! Uma pergunta que deixo ao mestre Dalcim. Como carioca, vejo o Centro Olímpico de Tênis não sendo utilizado (ou sendo muito pouco). Caso haja mudança de piso para os torneios ATP Sul-americanos, saberia dizer se o local do Rio Open mudaria do Jóquei para o Parque Olímpico?

Sandra
Sandra
1 ano atrás
Responder para  José Roberto

É muito longe !!

José Roberto
José Roberto
1 ano atrás
Responder para  Sandra

Depende do referencial. Para quem é da ZS, pode achar longe. E quem mora na Barra? Outra: daria uma utilização para aquele elefante branco.

SANDRO
SANDRO
1 ano atrás
Responder para  José Roberto

Sem condições esta mudança… Afastaria o público !!! O Centro Olímpico é longe e fora de mão, além do que o JOCKEY CLUB é muito mais glamouroso e chique !!!

José Roberto
José Roberto
1 ano atrás
Responder para  SANDRO

O Jockey Club fica num lugar mais bonito da cidade? Fato!
Sobre ser glamouroso e chique, assim ainda é a zona sul, que vive desse glamour do passado.

Mas repito. A mudança traria utilidade aquele elefante branco, fora o fato de que no Centro Olímpico de Tênis as quadras já são duras. Não haveria custo de adaptação.

Curioso o fato do carioca reclamar em vir pra Barra mas no Rock in Rio ou em outros mega shows, costumam vir de boa. Eita povo contraditório! E nem adianta questionar o trânsito pq há engarrafamentos em toda a cidade. Na Gávea / Jardim Botânico tb tem. O metrô não deixa pertinho do Jockey Club. Ou seja, se a desculpa for locomoção, esquece, estamos mal seja em qualquer lugar.

Sandra
Sandra
1 ano atrás
Responder para  SANDRO

Concordo, mas nunca tem ingresso rssss

José Roberto
José Roberto
1 ano atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Muito obrigado pela resposta. Apenas como opinião, acho um desperdício ter sido construído uma estrutura para o tênis durante os Jogos Olímpicos e hj ser tão subaproveitado pelo esporte.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás
Responder para  José Roberto

Dalcim, nos ajude na resposta, por favor.
Esse descaso com parques olímpicos, pós-olimpíadas, acontece no mundo afora ou é exclusividade brasileira?
Atenas, Barcelona, Atlanta, Sidney, Tóquio, Beijin etc todos fazem bom uso de suas estruturas olímpicas?

Ronaldo Oliveira
Ronaldo Oliveira
1 ano atrás

Não entendo porque dizem que a Bia decepcionou… foi outra semana normal na carreira dela.

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

O Kendrick Lamar convidou a Serena Williams pra dançar na música “Not Like Us” no show dele no SuperBowl.

A Serena Williams é EX-NAMORADA do Drake.

Treta a gente gosta kkkk

Fábio
Fábio
1 ano atrás

Novamente: a gente torce, acredita, mas ajuda também, Bia. Melhora essa cabeça.

André Aguiar
André Aguiar
1 ano atrás

Vida longa e próspera ao revés de uma mão.

Neri Malheiros
Neri Malheiros
1 ano atrás

Sempre deixei claro que não sou um apaixonado pelo Alcaraz, embora reconheça sua genialidade. Hoje, ele e o excelente Shapovalov, foram protagonistas de duas finais espetaculares. De Minaur e Ruud entregaram o seu melhor, porém, diante de dois adversários com golpes tão potentes e desconcertantes, foram, pouco a pouco, sendo meros coadjuvantes. A diferença entre os dois confrontos decisivos é que, se de um lado o espanhol era o franco favorito contra o australiano em franca ascensão, do outro, o favoritismo e a escrita de Ruud contra um brilhante canadense não foram confirmados.

Como disse no comentário postado logo após a convincente vitória de ‘Shapô’ nas quartas em cima de Fritz, outro que vive um período de consistência e ascensão, meu desejo é que ele volte ao nível surpreendente que o fez derrotar Nadal aos 17 anos em Montreal e o mundo se curvar ao seu belíssimo backhand de uma só mão. Talento ele tem de sobra para voltar ao topo, de onde certamente não teria saído se não tivesse a séria lesão que o afastou do caminho das vitórias e, posteriormente, das quadras.

Quanto a Bia, continuo convicto de que é só uma questão de dar tempo ao tempo para que os movimentos de mudança surtam efeito e readquira a confiança tão necessária para novas sequências vitoriosas. Ainda é muito cedo para prognósticos derrotistas.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás
Responder para  Neri Malheiros

Neri, o que muitos “especialistas” aqui não entendem, é que não gostamos, no sentido de não sermos fãs, de determinados jogadores, Alcaraz por exemplo, é que nos falta, e coloco NOS porque concordo com sua análise, algo mais nesses jogadores para nos fazer vibrar com suas vitórias. Sentir aquele frio na barriga que só um ou outro é capaz de proporcionar. E isso não tem nada a ver com a certeza que são tenistas altamente talentosos.
Aliás, Alcaraz nem precisa de nenhuma análise especial, pois seus números (olha eles aí), falam por si só.
Já Shapovalov era o único tenista da passada NextGen que eu torcia depois de Novak Djokovic aquela decisão entre ambos em Shangai foi top) e me fez perder as esperanças, pois não conseguia transformar todo seu talento em conquistas.
Esse resultado de ontem, me reanima novamente, pois, por mais que as pernas já não corram como outrora, sua cabeça compila melhor dos dados para tomar melhores decisões, sem dúvidas.
Torço muito por seu retorno.

Maurício Luís *
Maurício Luís *
1 ano atrás

Ai, Bia… Nessa toada, como vai ser na hora de defender pontos?
Assim a fêmea do bovino dirigir-se-á solenemente à área pantanosa.
E eu ia até perguntar o que é aquilo no nariz do Alcaraz, mas lendo aí em cima, deve ser pra facilitar a respiração por causa do resfriado.
Eu gripado não tenho coragem nem de levantar da cama, e esses jogadores tem que entrar em quadra e ainda jogar em alto nível se quiserem ganhar. Difícil. Não à toa ganham tão bem.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás
Responder para  Maurício Luís *

Imagine Djokovic entrando num torneio, com um clipe nasal (Alcaraz) e dizendo-se gripado, logo em seguida, sagrando-se campeão.

André Borges
André Borges
1 ano atrás

A Bia é isso, troca 2/3 bolas e porrada. Uma parte vai fora do estádio e outra parte sai winner genial. A proporção entre um e outro é o que determina a derrota ou vitoria.

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]

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