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Stradivarius Djokovic dá concerto na Central

Foto: ATP

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O novo duelo de gerações entre Novak Djokovic e Holger Rune foi um concerto de uma nota só. O maestro sérvio, que tem imitado um violinista ao final de suas vitórias mais recentes, deu uma aula de como se jogar sobre a temida quadra de grama. Saque eficiente, devoluções profundas, leveza no deslocamento, surpresa nas deixadas e sutileza nos voleios desconcertantes. Um banho de tênis.

O dinamarquês, com duas vitórias sobre o sérvio no currículo e quartas de final em Wimbledon no ano passado, não vive seus melhores dias e o início descontrolado, em que mal conseguia ganhar pontos, custou caro. Encheu o heptcampeão de confiança e, mesmo aparentando um desconforto estomacal no começo do segundo set, Djokovic jamais deixou de comandar a partida. Quando foi preciso, plantou-se atrás e trocou bolas, uma solidez difícil de se obter num piso tão traiçoeiro. Lá na frente, ganhou 78% de suas 37 investidas à rede.

Djokovic só não gostou mesmo do coro de uma parte do público na Central, que gritava ‘Ruuuuuuune’ de forma bem prolongada no ‘U’, o que sugeriria também vaia, ainda que isso acontecesse em pontos vencidos por Rune e nunca em um erro do cabeça 2, o que seria realmente grave. Além de demonstrar seu desagrado durante o jogo, com caretas irônicas, Nole também disparou contra esse filão de torcedores em plena entrevista de quadra, refutando até mesmo a alegação do mestre de cerimônias de que era manifestação de apoio ao escandinavo. “Eu conheço todos os truques”, sentenciou.

Com nível subindo a cada partida e sem qualquer sinal de limitação física, Djokovic será favorito diante do australiano Alex de Minaur, um duelo com pouco histórico. Foram só três partidas, a primeira delas em janeiro do ano passado, com duas vitórias de Nole. No melhor momento de sua carreira, prestes a subir para o sexto lugar do ranking com as quartas inéditas em Wimbledon, De Minaur ganhou um problema justamente no match-point de sua vitória sobre o francês Arthur Fils. Era um jogo para três sets fáceis, mas o australiano deu brechas. Ao fazer o belo voleio definitivo, pareceu sentir algo no quadril e saiu para o vestiário com evidente preocupação.

Mais tarde, na entrevista oficial, garantiu que foi apenas um susto e que, após o trabalho de recuperação, está totalmente bem. E mostrou estar de bom humor. Como namora a estrela local Katie Boulter, diz que se sente um ‘britânico honorário’ e por isso acredita que tem a torcida local a seu lado. E Djokovic pode ficar tranquilo: não há um “U” no seu sobrenome para embalar coros irritantes.

Fritz marca grande virada e sonha

Por dois sets, parecia mesmo que Alexander Zverev continuaria seu ótimo momento em Wimbledon, onde até então não havia perdido serviço. No entanto, Taylor Fritz não desistiu. Mostrou cabeça no lugar e isso certamente foi sua maior qualidade. Continuou apostando no saque e soube perceber a queda física de Zverev, que cada vez se mexia com maior dificuldade. Daí fez o correto. Passou a balançar o alemão sem tanta pressa de decidir e usou curtas ou bolas bem baixas para forçar o alemão a se deslocar de forma pouco confortável. Mais tarde, Sascha contou que mal conseguia andar no domingo, fruto da queda feia da véspera.

Enquanto Zverev sofria a 13ª derrota em seus 36 quintos sets já disputados, o norte-americano marcou a terceira virada de 0-2 de sua carreira, venceu pela primeira vez um top 5 em torneios de Slam na décima tentativa e tentará enfim uma semi desse nível, tendo sido quartas em Wimbledon de dois anos atrás. Aliás, observe-se que Fritz tem agora quartas em três de seus últimos quatro Slam, tendo chegado nas oitavas de Paris no mês passado. Por isso, está a 65 pontos de voltar ao top 10.

Seu adversário de quarta-feira será o italiano Lorenzo Musetti, esse sim uma surpresa maior, já que só tinha duas vitórias em Wimbledon até começar o torneio deste ano e duas oitavas de Slam, ambas em Roland Garros. Sua caminhada não foi tão exigente e ainda assim já fez 17 sets, tendo jogo apertado contra Luciano Darderi na segunda rodada. Nesta segunda-feira, perdeu o primeiro set para o super-sacador Giovanni Perricard mas, assim que achou o tempo da devolução, foi muito superior ao lucky-loser de 21 anos.

Claro que Fritz entra como favorito, uma vez que tem currículo superior e troféus sobre a grama. Os dois já se cruzaram em Wimbledon de dois anos atrás, com fácil vitória do norte-americano, que repetiu na fase final da Copa Davis. Neste ano, no saibro lento de Monte Carlo, o italiano descontou.

Rybakina lidera quartas de gabarito

Pelo segundo ano seguido, Elena Rybakina não precisou completar sua partida de oitavas na Central. Como aconteceu com Bia Haddad no ano passado, Anna Kalinskaya também sentiu problemas musculares e sequer completou o segundo set. A campeã de 2022 tem assim a porta aberta para tentar o bicampeonato, mas está diante de adversárias bem experientes.

Elina Svitolina, sua próxima barreira, está na terceira semi de Wimbledon e na segunda consecutiva e, curiosamente, suas duas derrotas anteriores foram para as campeãs Simona Halep (2019) e Marketa Vondrousova (2023). Passou nesta edição por bons desafios, como Ons Jabeur, mas principalmente o luto que a envolveu pouco antes de superar com enorme vantagem a boa chinesa Xinyu Wang, fruto do abominável ataque russo a um hospital infantil em Kiev. Será o quarto duelo contra Rybakina, que ganhou na grama de Eastbourne em 2021 e em Paris semanas atrás, enquanto Elina venceu no saibro de Estrasburgo e no piso duro das Olimpíadas.

Danielle Collins, depois da bela exibição contra Bia Haddad, se viu em apuros com o estilo variado de Barbora Krejcikova, que abusou do slice de forehand e fez a adversária colocar peso na maioria das bolas. Para piorar, ainda sentiu a coxa esquerda. A tcheca faz então seu melhor Wimbledon e encara o jogo pesado de Jelena Ostapenko. A letã tem quartas em todos os Slam e uma semi em Wimbledon, em 2018. É uma tenista temperamental, que usa a força bruta com uma competência impressionante para achar linhas. Tem 4-2 sobre Krejcikova, incluindo as três últimas.

E mais

– Medvedev promete ‘algo novo’ para o 12º duelo diante de Sinner, depois de perder as 5 últimas, incluindo a dura virada na final de Melbourne. Russo no entanto sabe que o primeiro saque será essencial.
– Paul contou que pegará conselhos com Tiafoe para o duelo com Alcaraz, já que o amigo levou o espanhol ao quinto set. Cada um venceu duas vezes nos confrontos diretos, todos na quadra dura.
– A terça-feira realiza todas as quartas femininas, o que inclui portanto Paolini-Navarro e Sun-Vekic. A americana tem mais jeito para a grama e Vekic, muito mais experiência do que a canhota que veio do quali.
– O tênis brasileiro se despediu das chaves adultas, num dia em que Rafael Matos perdeu duas vezes. Ao lado de Melo, tiveram chance no primeiro set mas o local e canhoto Patton estava em dia iluminado. Nas mistas, o dueto com Stefani teve match-point para surpreender os bicampeões Krawczyk/Skupski num jogo gostoso de se ver.
– A Itália soma três representantes em busca da semifinal, a primeira vez na história de qualquer Slam. Paolini pode ser a primeira do país na penúltima rodada de Wimbledon, algo que Berrettini conseguiu para os homens em 2021.
– Segundo os dados estatísticos do torneio, o tenista perfeito hoje ganharia 74% de pontos com o primeiro saque e 53% com o segundo. A média de aces por jogo está em 20.
– Houve um burburinho de que Shelton teria sacado a 154 milhas por hora (248 km/h) na segunda rodada, o que seria novo recorde do torneio e um dos mais fortes já medidos, mas oficialmente Wimbledon diz que o saque mais forte do canhoto americano foi a 140 mph (225 km/h). Portanto, o recorde de Taylor Dent, a 148 mph (238 km/h) em 2010, permanece.

Match-point dolorido

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Sandra
Sandra
1 ano atrás

Dalcim, na hora que vi o Sinner com tontura , achei que ele tivesse tendo um ataque de pânico , pois ele não estava conseguindo dominar o russo , não sei se isso é possível acontecer com esses tenistas !!!

Maurício Luís *
Maurício Luís *
1 ano atrás

Fazendo uma análise da situação semântica/esportiva/ortopédica e levando-se em consideração a teoria da elasticidade do rabo da lagartixa, temos uma conclusão inversamente proporcional à minha torcida.
O De Minaur ganha do Djokovic… desde que o sérvio entre em quadra de braço engessado, bêbado, de olhos vendados e de muletas. Já com o Fritz ou com o Musetti, tem que ser sem as muletas.
DONNA VEKIC – Ela tem + ou – a mesma idade da Bia Maia. Conseguiu dar a volta por cima. Então mantenho a esperança de que a brasileira consiga também elevar o nível em algum momento.

Carlos Pereira
Carlos Pereira
1 ano atrás

Nós diga Dalcim, vc acha que o DJ ganha mais um GS? Eu não acredito!

Oswaldo Euclydes Aranha
Oswaldo Euclydes Aranha
1 ano atrás

O Dalcim deu mais uma demonstração de competência isenção e responsabilidade

Luis
Luis
1 ano atrás

Oi Dalcim, tudo bem? Esse negócio de ficar fazendo um violino no final da partida não é meio desrespeitoso para o adversário? Fiquei na duvida se estava fazendo para o publico que vaiou ele, mas acahei meio chato para o Rune e equipe.

Neri Malheiros
Neri Malheiros
1 ano atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

Dalcim, segundo li, o próprio Djokovic explicou o gesto como uma homenagem à filha Tara, que começou o aprendizado de violino há cerca de seis meses. Ele teria combinado com ela a imitação caso vencesse a partida anterior e pelo jeito resolveu dar continuidade à brincadeira. Após a simulação no final do jogo contra Rune, imediatamente a imagem fecha no sorriso de Tara e isso me fez concluir que só podia ser isso antes mesmo de ler sobre a explicação dada por ele.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás
Responder para  Neri Malheiros

Tem um vídeo no Youtube que mostra claramente que o gesto é para sua filha, sem nenhuma pretensão de zoar ninguém.
Inclusive, o título do vídeo é de Djokovic para filha.

Felipe
Felipe
1 ano atrás

To adorando o Kyrgios como comentarista. Bem informado, análises interessantes, elogiando ambos os jogadores igualmente, voz suave, tão diferente.

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás

Boss, coloquei um comentário aqui, que julgo interessante, ainda na parte da manhã, mas até agora, nada dele.
Será que expirou?
Rsss

Guilherme
Guilherme
1 ano atrás

O esportista de alta performance que não estiver preparado para uma disputa em um ambiente hostil, nem saia de casa. Aula magna do Djokovic

Evaldo Moreira
Evaldo Moreira
1 ano atrás

Esse alcaraz é brutussssss, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, como joga esse moleque, movimentação impar na grama, além dele, temos outros também, poucos mas tem, e essa semi com contra o Urso vai ser top.

Falando nele, parecia que estava com sangue nos olhos, a impressão é: hoje não sinner, hoje será eu, kkkkkkkkkkkkkkkkk

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

Medvedev, Parabéns: você derrotou o número 1 do mundo

Agora você enfrentará o mais recente campeão do Grand Slam para garantir uma vaga na final.

Ah, e se você vencê-lo, precisará vencer o maior jogador de todos os tempos para ganhar o título

Parrudo e hehehe

Moncho Sabella
Moncho Sabella
1 ano atrás

Dalcim, o que tem a dizer sobre o Disney+/Star+ nesse Wimbledon?

Joselito
Joselito
1 ano atrás

Medvedev está tendo aulas de violino com o GOAT. Até colocou em prática durante a partida.
Ele é uma piada.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 ano atrás

E SINNER conseguiu ” superar” Federer. Mais WINNERS, mais pontos, menos ENFs , e conseguiu perder a partida de 4 horas. Como diria Sílvio Luiz: ” O que eu vou dizer lá em casa ” . Cai meu favorito para o Título e tudo parece conspirar a favor de Novak Djokovic. Vida que segue…rs. Abs!

Jonas
Jonas
1 ano atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

SINNER vencedor moral, kkkkkkkkkk

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás
Responder para  Jonas

Kkkkkk

Moncho Sabella
Moncho Sabella
1 ano atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

A favor de Djokovic? Não se se tu sabe, mas Alcaraz provavelmente vai chegar na final kkkkk O cara que ganhou do sérvio na final do ano passado.

Ronildo
Ronildo
1 ano atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Alcaraz ainda está no páreo, apesar de Djokovic só ter pego adversário fácil até agora.

Sandra
Sandra
1 ano atrás

Dalcim , vc não acha que o físico do Sinner deixa muito a desejar comparado com o Alcaraz e mesmo o Medevedev,? Aliás eu acho ele muito emocional apesar de não transparecer .

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 ano atrás

Pra quem esperava um Sinner dominante e se impondo, como eu, a partida está bem diferente. O russo vai levando clara vantagem nas trocas mais longas, em especial com o BH. Partida indefinida, totalmente…

André Aguiar
André Aguiar
1 ano atrás

Rune contra top 5 (v-d):
até maio de 2023: 7-1
após maio de 2023: 0-10

Luiz Fabriciano
Luiz Fabriciano
1 ano atrás

Caro Dalcim, para deleite do SR, vou emoldurar seu primeiro parágrafo e colocar na parede do meu quarto.
Como é bom ler isso de um especialista, falando de seu tenista favorito!

E sobre o encenação do violinista, com seu Stradivarius , lembra-se quando isso começou?
Se não, vou lhe refrescar a memória: teve um M1000 no Canadá, não sei exatamente o ano, ele jogou contra o tcheco Radek Stepanek e esse ao fazer um belo ponto, fez exatamente essa encenação. Passado algum tempo, Djokovic fez outro pontaço e repetiu o mesmo gesto.
Ao final do jogo, como sempre, se abraçaram junto a rede, com mais uma vitória do maestro de ontem.
Grande abraço.

Luis
Luis
1 ano atrás

Eu gostei da atitude do Djoko, acho que finalmente ele está falando da mesma maneira que se comporta em quadra. Parou de fingir que quer agradar e está coerente. Bom para ele se mais honesto, acho que não vai ter menos fans por causa disso. Quem torce por ele parece não se importar com isso.

Valdir
Valdir
1 ano atrás

Rune começou a carreira tendo 7v1d contra top10(maio/2023), hoje está em 7v11d.
Derrocada impressionante.

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 ano atrás

Incrível o q o Djoko vem fazendo nesse torneio, pouquíssimo tempo após uma intervenção no joelho. Me assombra em especial sua recuperação física, pois qualidade ele sempre teve de sobra. Pra vence-lo aqui só um Alcaraz ou um Sinner jogando em nível semelhante, esses outros não tem chance, ou para agradar os politicamente corretos, tem chances parcas.
Rune é um fanfarrão, entrou na quadra como se estivesse num treino, perdendo 12 pontos seguidos. Depois disso, era óbvio que sua chance na partida era praticamente inexistente, contra uma lenda viva do esporte completamente focada em vencer, ou melhor, contra um passador de bolas como dizem alguns experts do blog…

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]

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