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Não seria hora de dar uma parada, Bia?

Foto: Reprodução/Instagram

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A cena está se repetindo com alerta que vai muito além da competição em si. O jogo vai escapando, vem a frustração, tudo acaba em derrota e aí entram a irritação e as lágrimas. Isso quando as lágrimas não aparecem ainda no meio da partida. Em nova derrota amarga neste sábado em Wimbledon, houve até murro na porta. O momento instável não me parece estar fazendo bem a Beatriz Haddad Maia, que naturalmente se cobra muito. Talvez seja hora de parar de dizer que está treinando bem e dar um tempo a si mesma. Tênis ela tem, mas golpes sem estar com a cabeça no lugar valem muito pouco.

Faltou até sorte contra Danielle Collins. Nos dois momentos em que a brasileira era superior em quadra, São Pedro não colaborou. Tinha domínio total no primeiro set, duas quebras com devolução agressiva e 4/0 com saque mais solto, quando houve a primeira paralisação. No retorno, a 11ª do mundo era outra e Bia foi sumindo. Perdeu incríveis nove games seguidos, até que Collins também entrou no seu buraco. Erro atrás de erro deram recuperação, empate no placar e aí, incrível, chuva de novo. Outra interrupção um tanto longa e, na volta, Collins estava firme de novo, achando ótimos contragolpes. Veio então o 4/5 e saque e era um tanto óbvio que Bia iria sentir o peso do momento. É duro vê-la outra vez deixar a quadra cabisbaixa, choro incontido. Horas depois, em entrevista à ESPN, quase foi às lágrimas de novo. Descontrole preocupante.

Se Bia nunca mais jogasse tênis, teria seu nome garantido na história nacional. Semi de simples e vice de duplas em Grand Slam, top 10 nas duas modalidades, uma final de WTA 1000, vitória sobre a número 1 do mundo, três títulos de WTA. Quantos brasileiros fizeram mais que isso? Maria Esther, Guga, Koch, alguns ainda podem indicar os duplistas Melo e Soares. E só. As pesadas críticas que recebe só enxergam o imediatismo do momento, a gana um tanto insensata por vitórias e títulos. Seria ótimo se Bia não se envolvesse nesse clima negativo, mas sabemos que isso é quase impossível nos dias de hoje.

Então, até por uma questão de saúde, talvez seja o momento para ela considerar um afastamento do circuito para aliviar a tensão e recolocar as coisas em ordem. Claro que ela ainda terá de ir aos Jogos Olímpicos, evidente que pesam os inúmeros contratos publicitários assinados nos últimos meses, que exigem sua exposição e podem ser parte relevante dos motivos que lhe causam tanta pressão por resultados.

Muita gente importante no tênis precisou dar um tempo para se ‘reagrupar’. Quem sabe, Bia e seu time considerem isso e o risco de um quadro depressivo.

Djokovic vira e Zverev assusta

Alexei Popyrin foi mesmo o primeiro teste sério para Novak Djokovic e o heptacampeão se saiu muito bem, encontrando a virada com cabeça fria e qualidade, em que devolução e saque foram elementos essenciais. Ok, Nole não está ainda perto do seu melhor tênis, mas está escalando os estágios da confiança. Vai encarar a juventude e a explosão física de Holger Rune, que saiu de 0-2 contra Quentyn Halys e fez quartas no ano passado. Alguém aí apostaria contra o sérvio? Eu, jamais.

Mas Nole terá de jogar com maior qualidade daqui em diante e isso inclui o eventual duelo de quartas diante de Alex de Minaur ou Arthur Fils. O australiano está no melhor momento da carreira e num piso em que se sente muito bem, o garoto francês tem um tremendo talento e nenhum medo dos grandes desafios.

Alexander Zverev levou um tremendo susto quando travou o pé esquerdo e quase torceu o joelho no começo do segundo set. Ainda que tinha tido um tiebreak duríssimo contra Cameron Norrie, o alemão está sacando muito e se mostra agora firme na grama, piso que ele reconhece não se sentir tão à vontade. Será interessantíssimo o nono encontro com Taylor Frtiz, o terceiro em Wimbledon. Sascha tem 5-3 no geral e 2-0 no torneio.

Quem passar, será amplo favorito para ir à semi, seja diante de Lorenzo Musetti ou da surpresa Giovanni Perricard. O italiano já fez 14 sets sem ter enfrentado ninguém de peso. O francês de 20 anos é o primeiro lucky-loser nas oitavas desde 1985, já marcou 105 aces e tem vencido 86% dos pontos com seu primeiro saque, uma tremenda média.

Putintseva acaba com tabu na melhor hora

Não poderia haver momento mais saboroso para a cazaque Yulia Putintseva marcar sua primeira vitória em cinco confrontos diante de Iga Swiatek. Tenista com experiência de três quartas de final, duas em Paris e outra em Nova York, foi sua segunda vitória sobre uma líder do ranking sobre a grama, repetindo a que fez diante de Naomi Osaka em 2019.

A mudança tática de Putintseva depois de perder o primeiro set é um excelente exemplo para Bia. Abandonou a disputa de bolas batidas, que claramente dava ritmo à polonesa, e adotou variação constante. Abusou das deixadinhas e dos slices, sempre mesclando direções e profundidade, e de repente estava atropelando a toda poderosa adversária, que não perdia por 21 partidas. Empolgadíssima, não parava de gesticular para o público, a quem agradeceu o essencial apoio.

O setor ficou imprevisível. Putintseva enfrentará Jelena Ostapenko, quadrifinalista em 2017, contra quem tem 2-2. Já Collins cruzará com Barbora Krejcikova, para quem perdeu o único confronto. Duelos que contrastam força e jeito.

Como se esperava, Elena Rybakina passou fácil por Caroline Wozniacki e pode esperar trabalho contra Anna Kalinskaya, já que histórico é de jogos duros. Elina Svitolina foi muito superior no primeiro set à duas vezes vice Ons Jabeur, que esteve a um ponto de levar à terceira série. Mas no geral o nível foi abaixo do que eu esperava. Svitolina enfrenta Xinyu Wang, chinesa que tirou Jessica Pegula e depois virou em cima da prata da casa Harriet Dart. A agressividade da chinesa me agrada.

O que esperar do domingo

– Sinner e Alcaraz abrem as oitavas contra canhotos, adversários só conhecidos neste sábado. O italiano encara Ben Shelton, que já disputou 15 sets e ficou mais de 10 horas em quadra. Jogo para no máximo dois tiebreaks.
– O espanhol terá pela frente Ugo Humbert, que chega nas oitavas de Slam pela segunda vez na carreira. A outra também foi em Wimbledon, cinco anos atrás.
– Medvedev completou vitória exigente contra Jan-Lennard Struff, que fez saque-voleio até no segundo serviço, e fará 11º duelo contra Dimitrov, com 7-3 de vantagem para o russo.
– Bautista tirou Fabio Fognini no quinto set e desafia Paul, com 3-2 no histórico, porém derrotas nos dois encontros mais recentes.
– Com as vitórias de Fritz, Shelton e Paul, os EUA tem três nas oitavas de Wimbledon pela primeira vez desde 2000.
– Gauff e Navarro fazem duelo pouco previsível, apesar do maior currículo da cabeça 2. Gauff perdeu as duas oitavas que atingiu em Wimbledon.
– Com duas quartas já feitas em Wimbledon, Keys leva favoritismo sobre Paolini, mas a finalista de Paris tem se virado bem na grama.
– Raducanu volta à Central em jogo entre duas tenistas fora do top 100. Lulu Sun é 123ª do mundo. A esperança britânica abandonou as mistas que faria com Murray alegando dor no punho.
– Confronto inédito entre Vekic e Badosa, tenistas que já fizeram quartas de Slam mas nunca na grama.
– Matos e Melo venceram partida de três tiebreaks, que não viu uma única quebra de saque, diante de Barrientos/Cabral, curiosamente dois que já fizeram parceria com o gaúcho. Agora, pegam Heliovaara/Patten nas oitavas.

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Sergio
Sergio
1 ano atrás

As adversárias já sabem o mapa da mina contra Bia.

Bebeto
Bebeto
1 ano atrás

Não tiro as conquistas até ao 10a 12 no ranking, mas, está na hora de encarar a verdade, a realidade é mta gente não vê isso.. tem tenista melhores em ranking de 30 a 50 melhor q/ a Bia… Puntseva 34 no ranking, D.Devik 38, Svitolina, Dalinina, a algoz Muchova, e agora a surpresa L.Sun e mtas outras.. HUMILDADE, sempre a PRESSÃO, desistência das adversária… e aí vai.. TORÇO PELA BIA, MAS ACEITO A VERDADE… só não vê q/ não quer…

Natalia
Natalia
1 ano atrás

Eu acredito que o que falta para a Bia é um treinador, depois da pausa que ela ganhava de 4×0 o treinador da Collins ficou bom tempo em pé dando suporte pra ela , enquanto o Rafael no momento que já estava 5×4 da virada não tinha reação , o cara assiste o jogo de braços cruzados sem nenhuma reação , aplaude a Bia com má vontade . O jogo é dentro da quadra e fora dela precisa do suporte da equipe.

Rockton
Rockton
1 ano atrás

Dalcin,
Bia já tem 28 anos, não dá mais para “paradas estratégicas”. Agora é focar em ganhar o máximo de dinheiro que ela puder, depois para e vai gastar, ser mãe, sei lá mais o que ela quer fazer.

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

Então, Lulu Sun é:

CHINESA, porque a mãe dela é chinesa
CROATA, porque o pai dela é croata
KIWI, porque ela nasceu na Nova Zelândia
SUÍÇA, porque foi criada na Suíça
JAPONÊS, porque o Sol nasce no Leste

Kkkk

Gustavo
Gustavo
1 ano atrás

Talvez ela devesse ter jogado duplas mistas, afinal?

(Veneno saindo da minha boca kkkk)

Jonas
Jonas
1 ano atrás

Uma pena ver uma jogadora com tanto potencial quanto a Raducanu jogar menos do que pode…

Evandro
Evandro
1 ano atrás

“A agressividade da chinesa me agrada.” Parabéns, Dalcim!

Tom França
Tom França
1 ano atrás

Não tem cacife, nem psicológico pra ir mais além do que já foi! Se aposentando agora, sai por cima. Se demorar e cair pra top 60 em diante, será mais frustrante do que já está sendo. Então…

João Sawao ando
João Sawao ando
1 ano atrás
Responder para  Tom França

Ainda assim estará ganhando dinheiro entao vale a pena…embroa ache que fique entre os 30 /40

Rockton
Rockton
1 ano atrás

Quem não tem mentalidade de competidor não vai conseguir ter com uma parada. Vai continuar amarelando na hora H. Pode até conseguir encaixar uma semi, mas só se o andamento do torneio e as contusões das adversárias deixarem o caminho mais fácil.
Acho que Bia precisa ser pragmática: pensar no dinheiro, esquece que já foi semifinalista de um Grand Slan e foca em conseguir ganhar o máximo de dinheiro que puder, arrumar mais patrocínio enquanto está no top 50, fazer bastante propaganda para TV.
Pronto! Com bastante dim dim no bolso depois pode ficar tranquila e talvez ganhar mais jogos.
Mas jamais Bia terá força mental de uma Iga, por exemplo.

Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
1 ano atrás
Responder para  Rockton

ROCKTSON, inclusive para 2025, você poderia sugerir ao staff de Beatriz participações dela no Big Brother e em A Fazenda…

João Sawao ando
João Sawao ando
1 ano atrás

No que tudo o dalcim diz e que falta um psicólogo…

Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
1 ano atrás
Responder para  João Sawao ando

JOÃO SAWAO ANDO, e você, o que acha?

SANDRO
SANDRO
1 ano atrás

Tenho certeza ABSOLUTA que BIA HADDAD é capaz de vencer qualquer TOP 10 do mundo desde que seja mais racional e menos emocional… O que derrota a BIA HADDAD não é a adversária, mas o seu próprio MENTAL…

SANDRO
SANDRO
1 ano atrás

Às vezes, o tenista tem que se isolar mais, dar menos entrevistas, menos satisfações aos outros e concentrar mais no seu jogo, ser mais racional e menos emocional… Como pode voltar tão diferente de 2 interrupções de jogo??? O que acontece durante essas interrupções???Collins se motiva e BIA se desmotiva??? O problema é MENTAL !!!

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 ano atrás

Acabei de lembrar: Djokovic teve preferência sobre Nadal na terceira rodada de RG 2022. Portanto, como venho dizendo, os jogos dele só saem da transmissão principal quando tem brasileiro no mesmo horário.

Sérgio Ribeiro
Sérgio Ribeiro
1 ano atrás
Responder para  Paulo Almeida

Como venho dizendo??? Que cara de pau rs . Eu que te corrigi lá no Site TênisBrasil e ti só falando de Disney+ . Em TODOS os Torneios transmitidos a preferência é para os Brasileiros na primeira semana kkkkkkk. Quem não gostar que faça a assinatura. Eu queria matar a ESPN mas não tive saída . Rsrsrs, Abs!

Paulo Almeida
Paulo Almeida
1 ano atrás
Responder para  Sérgio Ribeiro

Não, Sr. SR. Isso foi exatamente o que eu disse e eu pedi para que você lesse de novo o meu comentário, se é que você leu mesmo. Se leu, interpretou tudo errado.

A conferir, rsrs, abs!

João Sawao ando
João Sawao ando
1 ano atrás

Dalcim. Por que quando Bellucci ficou 6 anos como 350 do mundo jogando simples você nunca falou em relação a ele para para dar uma parada….?

Luiz Fernando
Luiz Fernando
1 ano atrás

Umbert achou q estava jogando comigo e não com o Alcaraz, no ponto final do set2…

Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
1 ano atrás

POIS É, O BODE EXPIATÓRIO DA VEZ foi a chuva, não sem a heresia de imputarem a culpa até ao pai da mesma, São Pedro. Minha avaliação é que quem perde nove games seguidos, não tem que falar da chuva como motivo desestabilizador, e o mesmo vale para os tais analistas especializados aqui do Brasil, mas que declinam desta condição, ao se valerem do verdeamarelismo infame. Num jogo simples, nove games significam um set e meio. Já a chuva, a chuva chove, só isso, ela tá na dela e não tem tempo para gastar com raqueteiros em geral, a chuva não joga bola. Parafraseando Harper Lee( 1926 – 2016 ), a chuva é para todos. Ainda assim, a reboque do mau tempo em Londres, pergunta-se à vítima da chuva se “seria hora de dar uma parada”. Penso que se ela não o fez quando reconheceu não estar bem da cabeça, há cerca de dois meses, agora, faltando poucos dias para os jogos olímpicos de Paris, é que ela não o fará, não é mesmo?

Felipe
Felipe
1 ano atrás

Se no futebol que o Brasil mais investe $ tá levando um sacode, imagine nas olimpíadas

Horacio
Horacio
1 ano atrás

Enquanto nas interrupções pela chuva Danielle Collins conversa e se motiva com Nico Almagro, Bía ….

Sandra
Sandra
1 ano atrás

Dalcim ‘ a Bia e muito nova , com emoções a flor pele , e muito difícil, e ontem vc não acha que foi a Collins que jogou muito ? Era melhor ela quebrar a raquete rsss

Valmir da Silva Batista
Valmir da Silva Batista
1 ano atrás
Responder para  José Nilton Dalcim

30/05/1996. Vinte e oito anos…

Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]
Paulista de 63 anos, é jornalista especializado em esporte há mais de 45 anos, com coberturas em Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. Acompanha o circuito do tênis desde 1980, tendo editado a revista Tênis News. É o criador, proprietário e diretor editorial de TenisBrasil. Contato: [email protected]

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