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O piso mais lento parecia apropriado para João Fonseca, acostumado a fazer a bola andar muito no saibro carioca, onde foi criado. Mas o grande nome da noite na Philippe Chatrier foi Jakub Mensik, que está longe de ser um saibrista autêntico, mas tomou postura correta e conseguiu aproveitar as oportunidades que o brasileiro lhe deu, sendo muito produtivo nos dois primeiros sets e depois reagindo numa parcial que parecia nas mãos do brasileiro.
Fonseca não trabalhou com o saque da forma que precisava e, ao sair nos dois sets com quebra atrás, a recuperação foi quase impossível, como era de se prever. O tcheco mudou constantemente a posição como devolvedor, ora mais longe, ora até um passo dentro da quadra, e evitou ao máximo as trocas mais longas. Não apenas fez transições apropriadas à rede como executou voleios de enorme qualidade.
Ele sentiu algum desconforto no começo do terceiro set, perdeu a movimentação lateral e a precisão do primeiro saque, e isso deu duas oportunidades para Fonseca liderar duas vezes a parcial e sacar para o set. Em ambas, o serviço foi vacilante e encarou um retorno ofensivo. Teve até set-point e ainda permitiu que Mensik sobrevivesse sem mostrar uma postura tática clara. Tomou a virada e deveria ter perdido ainda naquele longo e histórico 12º game, porque afinal o tcheco teve smash para concluir o jogo e se precipitou.
Há de se reconhecer que João lutou muito, fez grandes lances sob total pressão, o que já se tornou uma característica, e empurrou para o tiebreak. O normal seria ver Mensik ainda com a cabeça na incrível chance desperdiçada minutos atrás, porém ele voltou a provar o quanto é bom na parte mental. Obteve vantagem logo de cara e voltou a tirar o máximo do saque, enquanto Fonseca é quem ficava sem confiança. A curtinha final simbolizou perfeitamente o quanto o tcheco mereceu a vitória.
Claro que fica certa frustração para Fonseca diante da ótimo campanha feita até as quartas e a derrota para um tenista que tinha buracos evidentes a ser mais bem explorados. Mas não há razões para desânimo. O carioca acumulou experiência, subiu novos degraus no respeito dos concorrentes e provavelmente seguirá trabalhando em campos tão importantes do tênis moderno, o maior deles a devolução e, consequentemente, o aproveitamento dos break-points.
Mensik ameaça Zverev?
Com dois dias de descanso pela frente, Mensik terá tempo suficiente para recuperar a energia e tentar a vingança contra Alexander Zverev, que o venceu em jogo duro há poucas semanas, nas oitavas de Madri. Assim como aconteceria se tivesse dado Fonseca, será interessante ver quem controla melhor os nervos e a ansiedade: se o garoto que encara seu primeiro momento de peso num Grand Slam ou se o experiente alemão diante da maior e talvez última chance de sua carreira de enfim levantar o tão almejado troféu de Slam.
Sascha demorou para se achar diante do adolescente Rafael Jodar e, dominado na base, viu o espanhol sacar para o primeiro set. Não soube fazê-lo e daí em diante foi difícil segurar o número 3 do ranking. Ele chega pela quinta vez na semi de Paris, um resultado admirável, e tenta repetir a final de 2024, quando perdeu para Carlos Alcaraz. Até agora só cedeu um set, quando “viajou” diante de Quentin Halys. Por isso, está jogando muito e bem descansado.
Quarter-final highlights between Sascha Zverev and Rafael Jodar 👊 #RolandGarros pic.twitter.com/9RnMM5L9l6
— Roland-Garros (@rolandgarros) June 2, 2026
Andreeva e Kostyuk repetem final de Madri
E mais uma vez não deu para Elina Svitolina. A campeã de Roma chegou cheia de apetite a Roland Garros, porém outra vez parou nas quartas. A “culpa” foi do excelente momento que atravessa a compatriota ucraniana Marta Kostyuk, que completou 17 jogos invictos no saibro. A partida foi equilibrada, mas no terceiro set estava bem claro quem tinha mais pernas e força para comandar as trocas de bola.
Kostyuk chegou a chorar ainda em quadra, durante entrevista com Marion Bartoli, deixando escapar enfim toda a tensão de enfrentar uma amiga e uma inspiração para sua carreira, além é claro do sentimento nacionalista pelo duro momento que seu país atravessa. Aproveitou a oportunidade para pedir doações para as fundações que ela e Svitolina mantêm e que usam o tênis como ferramenta de integração social.
Pouco antes, a russa Mirra Andreeva não deu qualquer oportunidade para a veterana Sorana Cirstea para repetir a semifinal de duas temporadas atrás. No alto de seus 19 anos, Mirra se garante mais madura e tentará na quinta-feira reverter as derrotas para Kostyuk, uma em Brisbane em janeiro e outra dias atrás no saibro rápido de Madri.
E o sonho de Stefani prossegue
Luísa Stefani já ganhou medalha olímpica de bronze e foi campeã de mistas no Australian Open, mas a meta sempre foi ganhar um Slam nas duplas femininas e, pela quarta vez, está a uma vitória da decisão. Ela e canadense Gabriela Dabrowski, no entanto, têm a duríssima tarefa de enfrentar as líderes do ranking, a tcheca Katerina Siniakova, tricampeã de Paris, e a norte-americana Taylor Townsend, que já ganharam três 1000 neste ano, incluindo Madri.
Aos 28 anos, Stefani fará sua primeira semi de duplas femininas fora da quadra dura. Duas delas foram ao lado de Dabrowski, no US Open de 2021 e no recente Australian Open, tendo atingido novamente a penúltima rodada de Flushing Meadows em 2023, junto à norte-americana Jennifer Brady. Será pelo menos a 7ª do ranking após Paris, com chance de chegar ao top 5. A parceria está em terceiro na classificação da temporada e pode ser a nova número 1, desde que chegue ao título.
E o Brasil também segue somando vitórias nas chaves juvenis, onde Victoria Barros, Naná Silva, Guto Miguel e Leo Storck avançaram para as oitavas.









Achei um resultado “normal”. Ainda que sejam da mesma geração, o Mensik tem mais rodagem no circuito profissional. A esperança seria ele estar mais cansado que o João, o que parecia acontecer no início do terceiro set, porém o tcheco se recuperou bem até demais.
A verdade é que o João foi dominado ontem da linha de base e não achou as devoluções, tendência é continuar evoluindo mas ele já provou que é diferenciado. Nenhum tenista é capaz de sacar tão bem em momentos de pressão e encaixar bombas de direita contra o maior tenista da história sem ser diferenciado ao extremo.
Agora virou uma questão do Zverev pipocar ou não. Ele está com ritmo, ficou pouco tempo em quadra e como ele mesmo falou, e pode até ter parecido arrogante para alguns (embora eu concorde com ele), basta manter o nível atual que vai vencer os jogos. Em condições normais acho que só o Aliassime seria capaz de bater o alemão em uma final.
A devolução do Fonseca é realmente um enorme buraco em seu jogo. O que ele erra de devolução de segundo serviço é uma grandeza…
Enquanto não corrigir isso, o Top 10 fica mais difícil.
Outra coisa a melhorar é a definição de pontos “fáceis”. A bola está fácil para definição, o adversário vai para um lado só para constar e o Fonseca sempre joga onde o cara está. Impressionante!
Mas a evolução apresentada foi muito importante, com 2 vitórias marcantes e grande coragem em pontos decisivos e um coração imenso na busca das vitórias.
Ah, também precisa entrar mais ligado. Demorou muito pra entrar nas partidas, o que transformou jogos difíceis em jogos dificílimos.
Agora é seguir trabalhando e evoluindo. E que ele perceba que foi o trabalho e a disciplina que o levaram até esse patamar. Que ele persevere!
Primeiro set, 2/2, João saca em 40/0. O comentarista observa q João vai fechar o terceiro game consecutivo de zero. Dupla falta. E João perdeu tb os quatro pontos seguintes, cinco ao todo, e foi quebrado. Vida de comentarista de qq esporte não é facil. Eu confesso q não vi boa parte do jogo, pq a atmosfera não estava boa. Parece q eu já tinha visto aquele jogo. Achei o João diferente. Bola pra frente. Foi bem, foi mais longe do eu imaginava.
É bem possível que o Zverev pire o cabeção novamente, mas torço muito que ele finalmente consiga vencer um GS. Com todo o volume de jogo (24 títulos até agora, incluindo 7 ATP1000, 2 Master Finals, Ouro Olímpico, além de 3 vices de Grand Slam), ele merece esse Roland Garros. A conferir.
João não jogou nada bem , na minha visão…claro que teve luta, se dedicou, etc…mas fez escolhas péssimas em momentos delicados que lhe custaram… não estou falando de errar a execução…curtinhas inapropriadas em momentos inapropriados que já estava comprovado que o cara não caía nessa. O mensik jogou muito…mas no geral o jogo foi decidido nas escolhas. Vi o outro jogo e,ali sim , o sverev não deu chance ao jodar…o espanhol não teve oportunidade s…o João teve…e não foi bem. Meu favorito para o título é o berretini.
Saque do JF um pouco mais lento e com menor percentual, provavelmente efeito do cansaço acumulado. O do tcheco estragou mais, colocando-o em posição de mando do ponto, situação que desagrada o brasileiro, que não soube encontrar saídas. Foi o que imaginei dias atrás: tinha confiança de que passaria por Ruud mas tinha minhas dúvidas contra Mensik… De todo modo, excelente torneio, cabeça erguida, vai subir no ranking.
Cara, eu gostava da Tchéquia. Agora, eu odeio. Claro, até que o João vença a próxima.
Dalcim vc não achou o Fonseca cansado mentalmente e fisicamente Todos os jogos foram pesados . Nao é todo mundo que consegue passar pelo Djokovic e Ruud ?
Fisicamente, não. Ele até correu em bolas que achei que deveria se poupar. Mentalmente, só ele pode dizer.
Olá, belo texto como sempre. Quais seriam os buracos a serem explorados por Fonseca? Tem uma passagem no texto que trata desses possíveis buracos de Mensik, fiquei curioso pra saber quais seriam?
Ficou claro no jogo que as bolas bem anguladas no backhand permitiriam transições à rede. Também o saque aberto na direita estava causando problemas.
O saque fez a diferença. Enquanto o do João não incomodou, o do tcheco não deu chance de devolução.
Concordo bastante com a sua análise, como a maioria das vezes. Achava que o jogo seria mais equilibrado. Todos falam da devolução como um dos pontos que o João precisa mais melhorar, até acho que precisa, mas vejo o João sem o refino nos toques sutis. Faz bons pontos na rede por conta do poderoso forehand, que o deixa em situação confortável. Mas quando precisa de toques mais sutis, deixa a desejar, lógico que em comparação aos top de linha.
O Storck fez 7/5 no TB do 3º set e comemorou como se tivesse vencido o jogo, o juiz teve que explicar que o TB era de 10. Eu também comemorei, pois não tinha certeza se no juvenil o TB era de 10, e como ele comemorou, embarquei na dele. A comemoração foi até tímida, pq o ponto foi numa baita sorte, banana que caiu logo depois da rede. Aliás gostei bastante do jogo dele, não conhecia.
Dalcim, tenho 2 perguntas: qual razão de ainda ter juiz de linha em Roland Garros ? pelo fato de ser mais fácil de identificar as marcas na quadra ? Hoje no TB do 3º set do jogo de duplas do Vavassori, teve um 1º saque que não deram bola fora e o cara rebateu na mão do adversário, que matou o ponto. Logo depois ele levantou a mão pedindo revisão, mas realmente demorou, só fazendo depois que o ponto já estava decidido. A juíza, a meu ver com razão, não voltou atrás. A outra dupla abriria acho que 7/5 no TB de 10. Acabou ficando 6/6. E os caras acabaram perdendo o TB. E outros pontos já tiveram correção do árbitro de cadeira.
A 2ª pergunta: estão testando no juvenil o saque poder “queimar”, sem precisar a repetição ? Sou bem favorável a mudança.
Os organizadores acham que, pelo fato de a bola deixar marca clara no saibro, o sistema não é tão necessário. Mas acho que no fundo tem uma contenção de gastos aí. Sim, todo o circuito juvenil funciona assim há alguns anos, Marcelo. A “queimada” prossegue e o motivo é que muito “espertinho” chamava “net” quando levava um ace em jogos sem arbitragem.
Obrigado. Mas fiquei decepcionado, achava que estavam testando no juvenil (não repetir o saque quando queima) para depois implementar no profissional. Sei que já houve esse debate, mas muitos tenistas foram contra. E quanto aos juízes de linha, é um absurdo uma contenção de despesas. Os caras faturam alto e não podem gastar com marcação usando tecnologia de ponta !!
Match-points , Saque com média de 200 Km/hora , podendo ” queimar ” e ganhar na sorte ???. Não vai passar nunca . Ainda mais com a quantidade de partidas que vão ao quinto Set, sendo decidas com 3 Aces como JF fez contra Djokovic. Abs !
Excelente análise, não sou especialista,mas é evidente que o João precisa continuar melhorando a devolução,por muitas vezes o adversário precisou trabalhar com o segundo saque e o João não conseguia aproveitar a oportunidade.
Os dois vinham de maratonas e estavam desgastados. O saque fez a diferença. Mensik, com bom aproveitamento do primeiro (83%), não precisou jogar tantos pontos nos games de serviço quanto o João.
Mas para quem começou o torneio sem confiança, chegando a declarar que vinha duvidando do seu tênis, o saldo é muito positivo.
Excelente torneio do João. Quartas de final em um GS aos 19 anos! E não foi porque teve uma chave simples. Pelo contrário, caminho muito duro, incluindo a lenda Djokovic e o especialista Casper Ruud.
Hoje, ainda que se possa falar novamente sobre deficiências táticas, fez um jogo muito bom e lutou até o final. Perdeu porque o Mensik jogou uma barbaridade (parecia o Rafter nos voleios), mas sai de RG em outro patamar, com uma nova aura e espíriro de confiança.
Achei que o torneio ia dar uma miada após a queda do Sinner, mas não só está sendo divertido, como deu uma animada para o futuro do tênis, que até então parecia que todos os torneios ficariam nas mãos do duopólio Sincaraz. Claro que os dois continuarão a ser os maiores candidatos onde estiverem, mas as campanhas de Jódar, João e Mensik têm tudo para catapultar a confiança dessa garotada.
Discordo do segundo parágrafo. Só estava interessante pelo joao. Duvido q a maioria de nós estaria animados se ele ja tivesse saído na primeira/segunda rodada
Em se tratando ainda mais de Slam , quem ama o Esporte continua interessado, meu caro. Tem alguns que só querem ver ídolos . Futebol é o caminho. Abs !
Excelente comentário, minha cara . Mas será que Patrick Rafter superava mesmo Pete Sampras junto a rede ? …rs. Abs !
Confesso que achava que o João cairia para o Rudd, mas ele me supreendeu e acabou me iludindo. Acreditei mesmo no titulo por um momento, mas aquele velho João de antigamente que não encontra soluções no meio do jogo apareceu e ele simplesmente se mostrou perdido. Um bom torneio e vamos torcer agora pela regularidade do João e que comece a aparecer com frequencia nessas fases e então dá um passo adiante. Foi bom se iludir um pouco, mas continuaremos viuvas do Guga. Boa noite!
Exato. Guga aos 19 anos jogava bem mais do que o ” perdido” JF …Sei …Abs !
Berg, você parece não compreender como o João conseguiu chegar até a quarta de final ou por que parou nessa rodada – para um ótimo jogador em evolução. Vale lembrar que o incrível Guga só teve ranking para jogar seu 1º Grand Slam à beira de completar 20 anos, em maio de 1996.
Foi muito mais mérito do Mensik do que demérito do João. O tcheco jogou um absurdo e fechou todas as portas para o brasileiro. Pela crônica, parece que a derrota só aconteceu por conta do jogo do João. Discordo,
João não jogou bem não , ficou devendo na parte técnica e mental quando perdeu as chances no terceiro set, dalcim está correto . Mas longe de ser terra arrasada , campanha excelente
Não vi esse jogo não, vi o Mensik deixando algumas portas abertas e o João abrindo outras ainda maiores com decisões ruins e sem poder contar com o primeiro saque.
Aleluia! Mensik ganhou porque jogou muito…..
E basta!
João mostrou que tem jogo para top10….e Mensik para top 5… e mesmo assim JF vai ganhar alguns jogos do Mensik… são 2 grandes jogadores.
Engraçado que o Rublev quase virou o jogo em cima do Mensik né!? Vai entender… Se o Mensik jogar como jogou hoje contra o alemão, ele pode dar muito trabalho sim. Ele deve estar cansado também, mas o alemão depois do terceiro set também costuma cansar. E João, você foi um guerreiro, parabéns! Você ainda será finalista de RG.
Boa noite! Achei que hoje faltou ao João variar mais- nos primeiros 2 sets a impressão é que taticamente ele ficou preso a troca ao sem tirar o peso, dar mais curtas. Mesmo no saque faltou angular um pouco mais.
Enfim, Mensik “enxergou” melhor o jogo e mereceu!
Baita torneio do João, e , o principal, sai muito fortalecido mentalmente e com a confiança em alta!
Palpite pra final ,zverev e cobolli ,e você dalcim crava quem ?
É o mais lógico, sem dúvida.
Me intrometendo aqui, Zé e Aliassime. Não vejo como ser diferente.
Aliassime não só estará na final como será campeão
Zebra sempre pode acontecer, mas a performance do Zé no saibro é muito superior à do Aliassime. Zé tem 9 títulos no barro, sendo 5 ATP1000, enquanto Aliassime tem 0 (zero) títulos na superfície. O canadense tem 9 títulos na carreira, todos em quadra dura, sendo 8 em quadra indoor.
Zverev pegou a chave que pediu a Deus. Pode ser campeão sem enfrentar um mísero top-20.
Está descansado e confiante. Tem a faca e o queijo na mão.
Aliassime TOP 4 , Cobolli TOP 11 , Mensik TOP 17 , tá bom pra ti , meu caro ? . Já na Semi , Zverev x Mensik …rs. Abs !
Dito isso Aliassime campeão rs