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Ninguém deve esperar jogo fácil. Mas há boas razões, técnicas e táticas, para que se mantenha o otimismo numa classificação de João Fonseca para as semifinais de Roland Garros, algo que não acontece entre os homens brasileiros desde que Guga Kuerten fez trajetória para o tricampeonato, em 2001. O jogo acontece na rodada noturna local, às 15h15 de Brasília.
Jakub Mensik, praticamente um ano mais velho do que o carioca de 19 anos, é tipicamente um tenista de quadras duras. A estatística deixa isso bem claro: de suas atuais 83 vitórias de primeira linha, apenas 19 aconteceram sobre o saibro, onde jamais fez sequer uma final. Rumo a Paris, perdeu para jogadores como Ignacio Buse, em Hamburgo, e Alexei Popyrin, em Roma. A vitória de ontem sobre Andrey Rublev foi, de longe, a maior e melhor sobre o piso.
Fonseca, por sua vez, entra em quadra como favorito porque é saibrista autêntico. Ganhou quase metade de seus jogos de nível ATP na terra batida (23 em 52), tem aquele grande troféu em Buenos Aires e mostra toda sua capacidade técnica e tática nas vitórias duríssimas sobre Novak Djokovic e Casper Ruud, adversários muito distintos.
Para completar, o brasileiro ganhou o único duelo diante de Mensik, ao longo da campanha que o levaria ao primeiro título que lhe gerou visibilidade internacional, o Next Gen Finals de 2024. Claro que é um torneio de regras diferenciadas, com set curto e games sem vantagem, o que dificulta o parâmetro. No entanto, vitória sempre pesa no tênis. Deixa um confiante e outro, com interrogações.
É preciso enaltecer as ótimas qualidades do tcheco, ex-número 12 do ranking. Saca muito bem, bate pesado dos dois lados, se mexe bem para seu tamanho (1,98m) e sabe concluir a transição para a rede atrás de seus torpedos. Virou sensação ao ganhar Miami em cima de Djokovic e é importante lembrar que o Masters da Flórida tinha então um dos pisos mais lentos do circuito, considerado um autêntico saibro. Números evidenciam também sua cabeça forte: ganhou os dois jogos feitos em cinco sets neste Roland Garros e seu recorde positivo de tiebreaks é de 55-35.
A melhor razão para se imaginar que Fonseca tem boa chance de subir mais um degrau em Paris é a excelência técnica e física que demonstrou nestes quatro jogos. Não é fácil sair de 0 a 2 duas vezes seguidas no saibro. Exige enorme confiança no seu tênis e no seu corpo. Na partida contra Ruud, em que pese ter tido um set a menos, a exigência física e variações táticas foram enormes e João se destacou pelo poder defensivo, cobertura de quadra e ótimas soluções sob pressão.
Caberá a Fonseca não se frustrar com os winners que irá tomar ou com eventuais games de devolução em que mal tocará na bola. Faz parte quando se enfrenta um adversário como Mensik. A primeira tarefa será ter concentração total no seu próprio serviço e a determinação de variar ritmos o tempo todo, fazer o tcheco bater em movimento, se curvar para slices, correr atrás de curtinhas ou bolas bem anguladas.
João sabe fazer tudo isso. Então, vale acreditar.
Aliassime contra os italianos
Uma vacilada gigante de Frances Tiafoe permitiu que três italianos atinjam pela primeira vez na história as quartas de um mesmo Slam. Ele tinha 5/2 e sacou duas vezes no quarto set para tirar Matteo Arnaldi e levou a dura virada, um duelo com incrível disposição dos jogadores, que foi a 5h26 e mostrou espetacular poder de luta num quinto set de tirar o fôlego.
Ele enfrentará o xará Berrettini, que fez quartas em 2021, nunca mais voltou a Paris e agora repete a campanha. Ganhou dois tiebreaks do argentino Juan Manuel Cerúndolo, que lutou o máximo apesar das 6h de esforço no sábado. Os dois nunca se enfrentaram no circuito.
No começo do dia, Flavio Cobolli suou para tirar o valente Zachary Svajda, voltando a mostrar a conhecida insegurança na hora de vencer jogos grandes. Favorito para a vaga na final nesse setor, ele admitiu o extremo nervosismo e afirmou, ainda em quadra, para incredulidade da entrevistadora Carolina Garcia: “Me borrei todo”.
Por isso, é difícil dizer como vai encarar o duelo contra o canadense Félix Auger-Aliassime, o novo número 4 do ranking. Sem alarde e holofote, ele jura que gosta do saibro e provou isso ao vencer com autoridade o canhoto Alejandro Tabilo, tendo agora quartas em todos os Slam, com duas semis no US Open. Cobolli ganhou os dois confrontos, ambos na dura e em 2024.
Sabalenka dá show e vislumbra nova final
O complemento das oitavas de final femininas reforçou o favoritismo de Aryna Sabalenka para, ao menos, repetir a decisão do ano passado em Paris. A número 1 do mundo fez uma magnífica apresentação diante da japonesa Naomi Osaka, com um primeiro set movimentado e apertado, já que Osaka conseguiu recuperar uma quebra e se manteve viva até o finzinho.
Depois, a bielorrussa sobrou, como era o esperado. Foi mais para as bolas, totalizando a partida com 39 winners (contra 20) e 27 erros (frente 18), porém com muito mais variação. Entrou na brincadeira de Fabrice Santoro e até dançou em quadra. Mas sabe que precisa manter a seriedade no duelo inédito contra a canhota Diana Shnaider, que não terá nada a perder em suas primeiras quartas de Slam.
A outra vaga na semi ficará entre Anna Kalinskaya e Maja Chwalinska, encarregada agora de conduzir a bandeira polonesa em Paris. A russa fez jogo tenso contra Anastasia Potapova, credenciada por tirar Coco Gauff na rodada anterior, e as duas dividiram chances e tremedeira, até que a 24ª do mundo tomou a frente no match-tiebreak e concluiu. Já Maja foi bem superior à local Diana Parry e nem conseguiu motivar a torcida na Chatrier.
Luísa confirma, Demo surpreende
E o tênis brasileiro tem mais dois postulantes à vaga nas semifinais. Luísa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski encararam apuros contra Eikeri/Gleason, a quem haviam vencido dias atrás na final de Estrasburgo, e agora pegam as veteranas Siegemund/Zvonareva antes de, quem sabe, desafiar as cabeças 1 Siniakova/Townsend.
Luísa agora tem quartas de final em todos os quatro Slam e vai em busca da quarta semi em três diferentes torneios. Em janeiro, ela e Gabi também chegaram à penúltima rodada em Melbourne. Stefani assume provisoriamente o quinto lugar do ranking, mas ainda depende de Krunic e Danilina, que também estão nas quartas.
Boa surpresa vem com o gaúcho Marcelo Demoliner, principalmente porque o indiano N Sriram Balaji não é tão adepto ao saibro. Os dois tiraram a ótima dupla alemão Krawietz/Puetz e desafiam agora os cabeças 2 Heliovaara/Patten. Esta é a segunda tentativa de ir à semi de Demoliner, 37 anos, que também fez quartas no US Open de 2022.











Na idade dos excelentes JF e Mensik , não existe ninguém tão favorito assim, ambos estão em formação. Theco mostrou grande arsenal até mesmo na Terra Batida. Não deu a mínima pras casas de apostas e barulho de Torcida , e no seu estilo de saque potente e bolas planas , esteve bem em todos os cantos da quadra , e muitas vezes junto a rede . JF lutou muito mas a sensação é que se jogassem 10 Sets no dia de hoje , o homem de gelo levaria todos . Fez partida dura contra Zverev em Roma 2026 . Se não sentir tanto o enorme cansaço, pode aprontar contra o grande favorito na Semi . Aguardemos. Abs !
Dalcim creio que dificilmente a final feminina deixará de ser entre Aryna e Kostyuk. Se isso se confirmar, vejo Kostyuk com mais chances contra Aryna do que Svitolina, pelo maior peso da bola. Como vc vê essa hipotética final?
Também acho que Kostyuk tem mais chances. Caso aconteça, só precisamos ver como vai abordar o momento: solta como um azarão ou presa diante da possibilidade de fazer história.
JF perdeu mas fica a impressão de que poderia ter ido mais longe, pois o tcheco me pareceu mais desgastado do que ele no final do set3. Méritos do adversário, mas o brazuca subiu o nível no set3, com alguns voleios incríveis e sacando muito bem, em especial no momento da vantagem. Outro detalhe: seu preparo fisico deu um salto positivo, algo que todos nos cobrávamos. Bola pra frente.
Mensik jogou muito, e como Fonseca usou de variações, algo que vai precisar contra Zverev; se o fisico permitir, algo que sinceramente duvido, pode incomodar demais o alemão, que é franco favorito.
Por fim, em relação aos comentários da TV, o único exagero que vi na transmissão da TV foi comparar as devoluções do tcheco com as do Djoko, digamos que faltam alguns quilômetros para tal…
Mensik ainda tá nas fraldas da caerreira e querem comparar a devolução dele com a do Djoko?
kkkkkk
Djokovic já consolidado e ainda discutia-se a devolução dele com a do Agassi.
Que desastre esse jogo pro João!
O cara não consegue confirmar um simples saque. Incrível.
Serviço na mão pra fechar o 3° set, duas vezes, e desperdiça.
Depois precisa de mais 6 igualdades pra se manter vivo no game. Ato contínuo, leva pro tiebreak e já entrega dois pontos grátis.
Vitória merecidíssima do Mensik.
Não verei esse jogo, obviamente, mas vamos esperar que não seja um massacre contra o brasileiro.
Está sendo um massacre. Acho que Joao sempre sofre contra jogador agressivo. Agora trabalhar pq me parece que os melhores jogadores já entenderam que o segredo é tirar tempo do João. Boa campanha no entatlnto e fica aprendizado.
Massacre?!!! Que jogo você viu?
Se o Zverev não vencer este GS ele pode desistir. Além das suas qualidades inegáveis, ele vem com pouco tempo de quadra, algo que em um GS é um forte handicap a favor. O problema dele sempre foi uma das cores da bandeira brasileira, vamos ver como lida com a pressão dele para com ele mesmo de ser um favorito destacado…
Itália “bota” inéditos 3 jogadores nas quartas do Slam francês, dando-se ao luxo de não precisar contar com cinco dos seis primeiros italianos no ranking, inclusive do n. 1 Sinner. Luxo absoluto!
Atualmente, além do backhand do Sinner, a esquerda do Zverev também está melhor que a do Djokovic. A do italiano há muito tempo….
Eu vejo da seguinte maneira:
um dos principais motivos do backhand do Djokovic ter sido tão sólido antes, era por contar com um físico sobrenatural.
Isso permitia que ele chegasse em muitas bolas para poder batê-las com equilíbrio.
Além disso, a elasticidade do sérvio era fora do comum. Como se o seu corpo fosse feito de borracha – ele se esticava todo e chegava em bolas que para os outros pareciam perdidas.
Hoje em dia, o Djoko já chega mais atrasado em algumas bolas, e mesmo quando isso não acontece, ele acaba cansando a partir do 3° set.
É bom ver esse lado humano do Djokovic, porque antes ele era uma máquina!
Muitas das vitórias dele sobre o Nadal, e principalmente sobre o Federer, o sérvio ganhou mais por causa do físico do que pelo apuro técnico…
Zverev mostrou todo seu arsenal para jovem Espanhol. Sensacional Serviço e Backhand típico de N 3 do Mundo. Com pouquíssimo tempo de quadra no Torneio até aqui ( ao contrário de Jodar) , justificou plenamente o favoritismo. Rafa jodar tem muito a desenvolver, mesmo com a derrota já é Top 23 , somente podendo ser ultrapassado por JF . Atrás todos já deram adeus . Dito isso , Titio Toni precisará ter mais paciência, pois JF no momento nada fica a dever ao seu preferido. PS : João mesmo que perca já se garantiu no Top 25 . Abs !
O Zverev deu uma surra no tal de Jodar, aquele que protagonizou a cena patética com a boleira.
Eu até vi alguns aqui defendendo que a moça não teria sido empurrada. Mas isso não muda muita coisa.
O fato é que o Jodar viu a menina quase caindo de costas no chão, e não ofereceu qualquer auxílio. Aliás, pelo contrário, só passou por ela como que se tratasse de um poste…
O novo bombom do Sérgio Ribeiro também se recusou a dar a mão para outra boleirinha na entrada para a quadra na partida anterior ao confronto com o Zverev.
Dalcim, no podcast do Cossenza ele comentou hoje sobre a quantidade de brasileiros com boas chances nesse Roland Garros. Você se lembra de alguma outra vez na história um grand slam com tantos brasileiros com possibilidade de título?
João na simples, Luiza nas duplas, Guto, Nana e Ingrid nas simples e duplas do juvenil. Sem contar o Demo azarão nas duplas masculina. Verdadeira “Brazilian storm”
Não, realmente este me parece especial, embora é claro Fonseca não estivesse tão bem cotado quando o torneio começou.
Vi agora que a Gatissima Kostyuk venceu, ela que vem numa ótima temporada de saibro; além disso, tem potência para encarar Aryna, pois acho que dificilmente a final deixará de ser entre as 2! Toda a torcida para a ucraniana, mas devemos admitir que ela não será a favorita nesse provável duelo…
Vai ser uma batalha. Tem tudo para ser um jogo longo, a não ser que um dos dois se machuque ou se perca.
Da pra acreditar msmo, pq o Joao fez nas últimas 3 rodadas jogos mto bons. Mas o Mensik tbm não é de se desprezar, ele tirou um argentino saibrista bom em 5 sets na segunda rodada, se nao me engano. Acredito que vá ser um jogo parelho.
Ganhar um Slam é tão dificil como uma Copa do Mundo que começa no proximo dia 11, são 7 jogos e o vencedor leva, com uma pequena diferença, no futebol, tem a fase de grupos, que até com derrota você pode ganhar, no tenis, nem pensar!
Pelo jeito as rodadas finais terão jogadores cansadissimos..quantas maratonas…sverev e aliassime tem boas chances de performar melhor…
Dalcim, sabe dizer qual é o h2h do Mensik x Fonseca no juvenil? Não encontrei essa informação em nenhum lugar. Como eles têm quase a mesma idade, devem ter jogado em várias ocasiões antes de virarem profissionais.
Aparentemente, não se enfrentaram. O site da ITF traz todos os resultados da faixa de 18 anos dos dois e eles nunca se cruzaram.
Obrigado.