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Los Angeles (EUA) – Mais de seis décadas depois de interromper seus estudos para se dedicar ao tênis profissional em tempo integral e fazer história, Billie Jean King, aos 82 anos, finalmente concluiu o último ano de seus estudos na Universidade Estadual da Califórnia. Neste semestre, ela escreveu um trabalho sobre isso e nesta segunda-feira subiu ao palco da Universidade Estadual da Califórnia, em Los Angeles, para receber seu diploma de bacharel em História.
Embora concluir sua graduação fosse algo que sempre quis fazer, seu desejo reacendeu quando descobriu, há pouco mais de um ano, que faltava apenas um ano para terminar o curso que havia começado em 1961.
“É com grande orgulho e imensa gratidão que compartilho com vocês que me formei em História. Não existem palavras suficientes para expressar tudo o que estou sentindo neste momento, então direi simplesmente o seguinte: Nunca é tarde demais para aprender, crescer ou perseguir o sonho que ainda te chama silenciosamente. A vida tem o poder de redirecionar nossos caminhos e nos pedir para recomeçar quando menos esperamos. Mas o sonho não acaba só porque o tempo passou. Seja você jovem ou idoso, seus objetivos ainda valem a pena serem perseguidos”, disse a integrante do Hall da Fama em suas redes sociais.
“Voltei com um propósito. Tinha assuntos inacabados e é importante para mim terminar o que comecei. Gosto de concluir coisas. É como cumprimentar os outros na rede depois de uma partida”, afirmou King em seu discurso. Ela conquistou seu primeiro título de duplas em Wimbledon enquanto ainda estudava no que era então chamado de Los Angeles State College, mas deixou o campus em 1964 para se dedicar ao tênis em tempo integral.
Nas décadas seguintes, ela se tornou uma das maiores jogadoras de todos os tempos, fundou a WTA e impulsionou mudanças para as mulheres nos esportes. Seu trabalho lhe rendeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a Medalha de Ouro do Congresso e até mesmo uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Ao longo do caminho, ela teve até que escrever uma redação sobre o Título IX, a histórica lei de 1972 que proíbe a discriminação com base no sexo na educação e em outras organizações financiadas pelo governo dos Estados Unidos, em cuja aprovação ela desempenhou um papel fundamental. A carreira que a manteve longe da sala de aula acabou rendendo 39 títulos de Grand Slam, incluindo 12 de simples, 16 de dupla feminina e 11 de dupla mista.
Billie Jean King obteve uma distinção única na história do tênis: tendo entrado para o Hall da Fama individualmente em 1987, ela se tornou membro pela segunda vez quando as Nove Originais foram homenageadas juntas como grupo em 2021.
O auge do domínio de King se estendeu de 1966 a 1975, um período de 10 anos em que ela terminou como número 1 do mundo em seis diferentes anos. Quando King se aposentou, seus 129 títulos de simples e sua incansável luta por mudanças haviam consolidado seu status como um ícone internacional.
O discurso
Na segunda-feira, em Los Angeles, ela acrescentou à sua lista a conquista que considera uma das mais importantes de todas. Vestindo uma estola dourada com as palavras “estudante-atleta” e “G.O.A.T.” (Greatest Of All Time – Melhor de Todos os Tempos), King discursou para a multidão.
Ela manteve o foco em uma vida dedicada à luta pela igualdade, um propósito impulsionado por seus primeiros anos na universidade californiana, onde viu atletas homens receberem bolsas de estudo enquanto as mulheres tinham que arcar com os custos de seus próprios estudos. “Nunca entenderemos a inclusão a menos que tenhamos sido excluídos”, disse ela.
Ela fundamentou essa lição na realidade de sua própria geração. Recordando seus primeiros dias no esporte, ela observou que, quando ela e seus colegas lutaram para transformar o tênis de um esporte amador em um circuito profissional, as jogadoras sobreviviam com apenas US$ 14 por dia.
Mesmo seu primeiro título de duplas em Wimbledon, em 1961, não lhe rendeu nada além de um vale-presente de uma loja local, um contraste gritante com as enormes plataformas e oportunidades financeiras disponíveis para os atletas modernos.
Ela então descreveu o momento crucial de sua infância, que deu início à missão de sua vida, relembrando como, aos 12 anos, estava sentada em um clube de tênis local e percebeu que todos as jogadoras eram brancas. Foi aquele momento singular de notar quem estava ausente que a levou a perguntar: “Onde estão todos as outras?” e, por fim, a guiou a usar o tênis como um veículo global para a mudança social.
“A história dela é um poderoso lembrete para cada aluno aqui hoje, e para as gerações futuras de Golden Eagles, de que determinação, resiliência e aprendizado contínuo podem nos levar mais longe do que jamais imaginamos”, disse a presidente da Cal State LA, Berenecea Johnson Eanes.
Durante o discurso de King, uma mensagem mais profunda tomou um rumo inesperado quando um bebê começou a chorar no balcão. Em vez de falar por cima do barulho, King fez uma pausa, olhou para cima na direção do som e perguntou: “É tão ruim assim?”. A reação rápida arrancou risadas da plateia, pouco antes de ela encerrar seu discurso, liderando o público em um coro de “¡Sí se puede!” [Sim, nós podemos!].
Acompanhada por estudantes-atletas e pelo mascote da universidade, King então lançou bolas de tênis autografadas do palco para seus colegas formandos antes de receber seu tão esperado diploma.











